Sexta-feira, 3 de Março de 2006

inverno

Foto de Gilberto Junior em Olhares



Já não sou um céu aberto, nem um mar de caravelas onde
raízes procuram novos ventos.
As estrelas já não brilham em sonhos de novas melodias,
precipitam-se em movimentos fugazes sobre mim.
É tudo tão breve...
O relógio, gasto e parado no tempo, procura fugir aos dias
que retrocedem em marés e me vão apagando os castelos.
O vazio e o vento já não me sabem a liberdade, nem o lume
que dança perdido no silêncio me rasga a verdade.
Cada gesto, fica marcado, despido de mim, embalado na
transparência do momento.
Haverá longe de calma dentro de mim sem a vertigem de
uma tempestade gelada?
Haverá luz para quebrar meu corpo nesta noite de oculto luar?



Mike às 14:14
| Parêntesis | Enlaça-me...
25 comentários:
De fl.c. a 8 de Janeiro de 2007 às 11:26
**ghosts **

What lips my lips have kissed, and where, and why,
I have forgotten, and what arms have lain
Under my head till morning; but the rain
Is full of ghosts tonight, that tap and sigh
Upon the glass and listen for reply,
And in my heart there stirs a quiet pain
For unremembered lads that not again
Will turn to me at midnight with a cry.
Thus in the winter stands the lonely tree,
Nor knows what birds have vanished one by one,
Yet knows its boughs more silent than before:
I cannot say what loves have come and gone,
I only know that summer sang in me
A little while, that in me sings no more.


edna st. vincent millay, Selected Poems, Perennial Classics, 1992


Sempre bom parar um pouco ...

um beijo


De flor do campo a 13 de Agosto de 2006 às 00:44
INVERNO (Numa noite de verão...)

Uma onda mais forte derrubou os frágeis castelos!
O tempo passou e o vento varreu os sonhos que restavam como quem limpa do chão as folhas caídas, no outono da vida!
Cada gesto , cada palavra calada, cada silêncio; lembram uma noite de desencanto, molhada pela lágrima...
Fecho em mim as palavras,deito fora a caneta e a folha de papel!

Não sei se a luz de mim será ainda capaz de olhar o luar....
Sou barco ancorado no cais...
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Sabor a sal…

Barco ancorado num cais,
Preso no azul do mar…
Ondas tocam as amarras!
A areia traz a saudade,
De navegar…

E a espuma deixa
Sabor a sal…
No corpo, no rosto,
Inventa-se o riso,
No imaginário azul!

E, da suave brisa,
Soltam-se palavras,
Sonhos ou desejos…

Partem com o voo
Das gaivotas da praia.
Partem para longe,
Presas nas suas asas.

A noite chega…
Longa…
Tudo porque partiram
Para longe, as gaivotas.

Levaram os segredos…

A brisa já não beija o rosto,
O mar perdeu-se,
Numa onda breve!
Fica o azul do céu,
Que na noite,
Traz o brilho,
De uma estrela distante.

13/04/06
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... E este sabor a sal, deixo-o num lugar de laços!
Passarei sempre e, no silêncio das palavras que não direi, sei que será sempre um lugar onde me sentirei menos só...

Deixo um abraço.
Até sempre




De Anónimo a 3 de Março de 2006 às 14:31
Tudo está em ti... Tudo permanece em ti! Sente-te. Sente esse coração tão cheio de poesia. Muito bonito o texto! Bjs de LuzMoonLight
(http://atmoonlight.blogs.sapo.pt/)
(mailto:moonlight@sapo.pt)


De Anónimo a 3 de Março de 2006 às 15:46
A desilusão.....que nos faz perder a força de querer voar...que nos faz cair de tão alto...!
E disso que te falo..do momento...da transparencia do momento...que é deveras breve!Hoje tou contigo...Um beijoLC
</a>
(mailto:)


De Anónimo a 3 de Março de 2006 às 16:46
As tempestades não duram para sempre, elas existem além de nos fazer ver como é belo um dia ensolarado ou um céu estrelado, asim como para dar equilibrio à naturesa... nesse caso à nossa vida (semtimentos). Te bjo!Lilian Paula
(http://www.lilianpaula.zip.net)
(mailto:lilianpaula5@hotmail.com)


De Anónimo a 3 de Março de 2006 às 16:49
Meu querido, a tua viagem neste comboio da vida chegou à estação “Ponto de ruptura”! Daí esta tua visão cinzenta e desfocada da vida.
É nesta estação que decides o transbordo, ou não... ou mudas de comboio em direcção a uma nova vida (citando-te “ir de férias sem destino e sem bagagem!”) ou permaneces nesse trem sem perspectivas, viajando por caminhos já percorridos, onde tudo se mantém frio, distante e inerte à tua passagem.
A Vida é feita de vitórias e fracassos. Tens que pensar assim, como se de uma receita de culinária se tratasse (mousse? Risos): pegas no fracasso de hoje, analisas os ingredientes e as dosagens que utilizaste e vais fazendo as alterações necessárias...mais uma pitada de alegria, um pouco menos de solidão e por diante até estar cozinhada uma deliciosa vitória. Viste? É fácil.
Tu é TU, muito mais que um sentimento de culpa, um fracasso ou um fantasma de ti mesmo.
ERGUE-TE, olha-te no espelho e vê o HOMEM que realmente és! Sim, porque tu és um HOMEM com todos os defeitos e virtudes inerentes a esta condição de SER HUMANO, ou seja, erramos, fracassamos, não somos perfeitos nem infalíveis, somos HUMANOS.
Orgulha-te do Ser Humano maravilhoso que és, ergue a tua cabeça, foca a tua visão e caminha ao lado daqueles que te amam (nem à frente, nem atrás...lembras-te?) porque isso é que é verdadeiramente importante...sermos amados, sentirmos que somos importantes para alguém... e tu és muito importante para todos os que te amam e só te querem ver feliz.
Deixo-te um céu aberto, um mar de caravelas ao sabor de ventos de mudança e estrêlas que brilham numa noite de intenso luar projectando a tua imagem numa quente tempestade de sentimentos.
Pensa em TI, perdoa-te e dá-te uma nova oportunidade de seres feliz. Beijinhos e bom fim de semana
Teca
</a>
(mailto:)


De Anónimo a 3 de Março de 2006 às 17:55
Existem momentos, em que o Inverno se estende em nós, gelando-nos, numa latência de quem algo espera, um sol que nos derreta a desilusão e a frieza, fazendo-nos acreditar novamente no que perdemos por instantes. Por vezes, surgem tempestades que nos tentam derrubar, aniquilando o que ainda nos mantém de pé; mas, também, existem tempestades que nos tentam agitar, quase como um caos que nos faz acordar para o que realmente é importante. Tudo está em nós, a tempestade, o caos, a desilusão, o que foi e já não é... a bonança, a força, a alegria, a esperança e um novo olhar também! Acredito na tua força! O texto está deslumbrante, intenso! Beijos enormes**boxexas
(http://www.wicahpis.blogs.sapo.pt)
(mailto:boxexas@gmail.com)


De Anónimo a 3 de Março de 2006 às 19:43
lá fora a chuva cai cá dentro o Sol pode espreitar, as Estações do Ano no nosso coração somos nós que as fazemos, mas às vezes não temos forças para mudar as contrariedades da vida...
Um beijo e bom fds
pensadorapensadora
(http://pensadora2.blogs.sapo.pt/)
(mailto:pcap37@hotamail.com)


De Anónimo a 3 de Março de 2006 às 20:12
E quando brilhar, será que deixarás teu corpo quebrar?..ou será que haverá sequer corpo...Beijos com carinho...Lagoa_Azul
(http://www.lagoaazul.blogspot.com/)
(mailto:bomdialagoaazul@gmail.com)


De Anónimo a 4 de Março de 2006 às 19:40
"É tudo tão breve..." Fez-me pensar e foi a parte que mais se destacou na minha leitura. De facto os momentos que temos na vida são tão escassos que nem nos apercebemos do valor que temos. Podes já não ser céu aberto, mas concerteza tens dentro de ti a luz necessária para aquecer o teu universo. Se me permites vou divagar ao som da música que tens aqui. Lindissíma e de muito bom gosto. Beijo na alma.Maggie
(http://undressmysoul.blogs.sapo.pt)
(mailto:undressed@sapo.pt)


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